Produção de vídeo · apresentação aos sócios

Roteiro do vídeo

Como transformar a análise da Eleninha em uma apresentação em vídeo com o seu rosto e a sua voz, sem parecer robô. Qual ferramenta contratar, quanto custa, como gravar o material de origem e o texto exato de cada bloco de fala.

01

Qual ferramenta contratar

Existe hoje tecnologia que faz exatamente o que você quer. O ponto crítico não é a ferramenta, é a qualidade do material que você entrega para ela.

Um vídeo com o seu rosto e a sua voz, gerado por inteligência artificial, se monta com duas peças separadas que depois se juntam. Uma cria a voz a partir de um texto, e a outra move o rosto em sincronia com essa voz. As ferramentas que fazem as duas coisas ao mesmo tempo normalmente entregam voz pior, por isso a combinação separada rende mais.

A combinação recomendada

Para português brasileiro, com entonação natural e sem aquele arrastar metálico típico do robô, a dupla que entrega o melhor resultado hoje é ElevenLabs para a voz e HeyGen para o avatar. O HeyGen aceita importar a voz clonada do ElevenLabs, então as duas conversam direto e você monta o vídeo em um lugar só.

FerramentaPara quêPlano necessárioCusto aproximado Observação
ElevenLabsClonar a sua vozCreator US$ 22 por mês O plano Starter, de US$ 5, já clona a voz, mas com qualidade inferior. Para uma apresentação a sócios, vale o Creator.
HeyGenGerar o avatar com o seu rostoCreator US$ 29 por mês no anual, ou US$ 39 avulso É o primeiro plano que libera avatar próprio. Também remove a marca d'água.
SynthesiaAlternativa ao HeyGenCreatorUS$ 29 por mês Mais corporativo e mais engessado. A boca fica um pouco menos natural em português.
ArgilAlternativa com gesto de mãoProUS$ 39 por mês O avatar gesticula, o que ajuda em vídeo longo, mas o clone de voz é mais fraco.
DescriptMontagem finalHobbyistUS$ 12 por mês Edita vídeo apagando palavra no texto. Útil para juntar avatar e gravação de tela.
Antes de assinar Os preços acima são a referência de mercado e mudam com frequência, então confirme no site antes de contratar. Os dois planos principais somam por volta de US$ 51 por mês, algo em torno de R$ 280,00, e podem ser cancelados assim que o vídeo estiver pronto. Não existe contrato de fidelidade em nenhuma das duas.

Por que a maioria desses vídeos fica robótica

Não é limitação da ferramenta, é material de origem ruim. Três coisas separam um resultado convincente de um constrangedor:

  1. O vídeo que você grava para criar o avatar. Precisa de dois a cinco minutos, você olhando direto para a câmera, com luz na frente do rosto e não atrás, fundo limpo, e falando de verdade, com o movimento natural de cabeça e sobrancelha que você usa numa conversa. Ficar parado olhando fixo produz aquele avatar de cera.
  2. O áudio que você grava para clonar a voz. Quanto mais, melhor. Dez minutos já servem, trinta minutos entregam um resultado muito superior. Grave num ambiente sem eco, com fone de ouvido com microfone ou um microfone de lapela barato, lendo textos variados, uns animados e outros calmos, para a ferramenta aprender a sua faixa de entonação.
  3. A pontuação do roteiro. A inteligência artificial respira onde há vírgula e ponto. O roteiro abaixo já foi escrito com frases curtas e pontuação de fala, não de texto escrito. Não junte os parágrafos.

O passo a passo, na ordem

  1. Assine o ElevenLabs Creator. Vá em Voices, Add Voice, Instant Voice Clone. Suba de dez a trinta minutos de áudio seu. Dê o nome de Leandro. Leva menos de dois minutos.
  2. Assine o HeyGen Creator. Vá em Avatars, Create Avatar, Instant Avatar. Grave ou suba o vídeo de dois a cinco minutos. A aprovação leva de dez a trinta minutos.
  3. No HeyGen, em Settings, Integrations, conecte o ElevenLabs colando a chave de API. A sua voz clonada passa a aparecer na lista de vozes do HeyGen.
  4. Crie um vídeo novo, escolha o seu avatar e a sua voz, e cole o texto do bloco 1 do roteiro. Gere. Assista antes de fazer os outros. É neste momento que se ajusta velocidade, pausa e ênfase.
  5. Repita para os quinze blocos. Gere cada um como um vídeo separado, nunca tudo de uma vez: se um trecho sair ruim, você refaz só ele.
  6. Grave a tela passando pelo documento da análise, seguindo a coluna o que aparece na tela de cada bloco. Qualquer gravador serve, inclusive o do próprio Windows.
  7. Monte no Descript ou no CapCut, que é gratuito: a gravação de tela ocupa o quadro inteiro e o seu avatar fica num círculo no canto inferior direito. Esse formato é o que mais parece apresentação ao vivo.
Um atalho que vale considerar Se você tiver quarenta minutos livres, gravar a própria narração com o roteiro na tela e usar apenas a gravação de tela, sem avatar nenhum, costuma sair melhor do que qualquer avatar gerado. A sua voz real carrega convicção, e numa apresentação a sócios isso pesa. O roteiro abaixo serve igual nos dois caminhos.
02

O roteiro, bloco a bloco

Quinze blocos, por volta de catorze minutos no total. Cada bloco tem o que deve aparecer na tela e o texto exato para colar na ferramenta.

Cole no gerador apenas o texto da parte branca, que é a fala. A faixa cinza de cima é a orientação de imagem, para a gravação de tela. Os números foram escritos por extenso onde a leitura em voz alta pede, para a inteligência artificial não tropeçar.

Bloco 1Abertura40 segundos
O que aparece na telaA capa do documento, com o nome Eleninha e a faixa dos seis números principais.

Oi. Eu vou apresentar aqui a análise financeira completa da Eleninha, desde a abertura da casa até o fechamento de junho deste ano. São vinte e nove meses de operação, apurados mês a mês.

Só para vocês saberem de onde vem cada número: eu cruzei o demonstrativo de resultados gerencial que sai do Power BI da IOGAR, o relatório de contas pagas com vinte e quatro mil e setecentos e oitenta e oito lançamentos, o o balancete do ChefWeb, os extratos bancários do Itaú, os relatórios da Rede e as vinte e oito contagens de estoque. Tudo bate com o extrato. Nada aqui é estimativa.

Vou começar pela boa notícia, depois vou direto ao problema, e no fim eu mostro o plano e a data em que a distribuição volta.

Bloco 2O faturamento cresceu nos três anos 50 segundos
O que aparece na telaSeção 02, o gráfico do faturamento mês a mês, e depois a tabela de faturamento da seção 03.

A casa vende, e vende cada vez mais. Em dois mil e vinte e quatro, em onze meses de operação, a Eleninha faturou seis milhões, oitocentos e seis mil reais, uma média de seiscentos e dezoito mil por mês. Em dois mil e vinte e cinco foram dez milhões, cento e sete mil, com média de oitocentos e quarenta e dois mil por mês. E no primeiro semestre deste ano a média subiu de novo, para novecentos e onze mil reais por mês.

Comparando cada mês com o mesmo mês do ano anterior, dois mil e vinte e cinco foi melhor que dois mil e vinte e quatro em todos os onze meses comparáveis. Sem uma única exceção.

Projetando o segundo semestre, este ano fecha em onze milhões e quatrocentos mil reais. O público existe, voltou e cresceu. Guardem isso, porque é a base de tudo o que eu vou dizer depois: o problema da Eleninha não é vender.

Bloco 3E mesmo assim o lucro caiu 55 segundos
O que aparece na telaSeção 03, a segunda tabela, a do resultado operacional mês a mês. Depois o gráfico de margem da seção 04.

Agora o problema. De cada real que a casa faturou em dois mil e vinte e quatro, sobravam dez vírgula vinte e oito por cento depois de pagar absolutamente tudo, imposto sobre o lucro incluído. Foram seiscentos e noventa e nove mil reais de lucro em onze meses.

Em dois mil e vinte e cinco, faturando quase cinquenta por cento a mais, a margem caiu para quatro vírgula noventa e cinco por cento. O lucro foi de quinhentos mil reais. Repito, porque isso é o centro de tudo: a casa faturou muito mais e lucrou menos em dinheiro.

Neste ano a margem caiu de novo, para três vírgula vinte e dois por cento, com cento e setenta e seis mil reais no primeiro semestre.

Ou seja, não foi um tropeço isolado. São dois anos seguidos de queda de margem. A diferença entre a margem de dois mil e vinte e quatro e a de hoje vale oitocentos e quatro mil reais por ano que deixaram de virar lucro.

Bloco 4Para onde foi o lucro de 2025 95 segundos
O que aparece na telaSeção 05, a tabela do 2025 normalizado em camadas.

Dois mil e vinte e cinco teve quatro decisões que concentraram todo o custo daquele ano. E antes dos números, uma distinção que precisa ficar clara: existe diferença entre o que consome lucro e o que consome apenas caixa.

A primeira decisão foi a demissão em massa. Saíram cinquenta e sete pessoas no ano, contra catorze em dois mil e vinte e quatro, e a casa pagou trezentos e dezesseis mil reais em verbas rescisórias. Isso é despesa, sai do lucro.

A segunda foi o gasto com extras e dobras: trezentos e trinta e sete mil reais em oitocentos e quarenta e oito diárias. E ela é consequência direta da primeira, porque quem sai precisa ser coberto, e quem cobre é o extra.

A terceira foi a música, que passou de dois vírgula trinta e um por cento do faturamento para quatro vírgula noventa e oito. São duzentos e sessenta e nove mil reais a mais do que se gastaria no padrão antigo. Essa aqui é diferente das outras duas: é escolha estratégica e trouxe faturamento junto.

A quarta foi a troca da carta de vinhos, que prendeu cento e vinte e sete mil reais em estoque. Essa não é despesa: o dinheiro virou garrafa na prateleira, que continua valendo o que custou. Aperta o caixa, não muda o lucro.

Agora a conta. Sem a rescisão em massa e sem o excesso de extras, dois mil e vinte e cinco teria fechado com novecentos e quarenta e sete mil reais, ou nove vírgula trinta e oito por cento. Praticamente a margem de dois mil e vinte e quatro. E somando também a música no padrão antigo, o ano fecharia em um milhão, duzentos e dezessete mil reais, doze por cento, acima do que dois mil e vinte e quatro entregou. A capacidade de gerar lucro não foi perdida. Ela foi consumida por decisões concentradas naquele ano.

Bloco 5A demissão era necessária, e a rotatividade 70 segundos
O que aparece na telaSeção 13, a tabela de rescisões por trimestre.

Eu quero ser muito claro sobre a demissão, porque ela pode parecer um erro e não foi.

Aquele passivo trabalhista já existia. Cada mês a mais de contrato aumentava férias, décimo terceiro, multa de fundo e risco de reclamação. Se a casa não tivesse demitido, dois mil e vinte e cinco mostraria um lucro maior no papel, mas seria um lucro imaginário, porque a conta continuaria crescendo no colo da empresa para ser paga depois, corrigida e maior.

Olhando trimestre a trimestre, dá para ver como isso se concentrou. No primeiro trimestre de dois mil e vinte e cinco saíram sete pessoas, no segundo onze, no terceiro catorze, e no quarto trimestre sozinho saíram vinte e seis pessoas, com cento e oitenta mil reais pagos. Só em dezembro foram catorze desligamentos.

Em rotatividade, isso significa que a casa trocou o quadro inteiro mais de uma vez em um único ano. Para referência, bares e restaurantes já são o setor de maior rotatividade do país, com patamares entre setenta e cem por cento ao ano. Dois mil e vinte e quatro ficou abaixo dessa média, dois mil e vinte e cinco ficou muito acima pelo motivo certo, e este ano já caiu bastante, mas ainda está no limite superior.

E tem mais: foi essa troca de equipe que revelou o consumo interno sem controle na operação. Muita gente consumindo de graça. Isso só apareceu quando as pessoas mudaram.

Bloco 8As reservas trabalhistas e o lucro honesto 75 segundos
O que aparece na telaSeção 06, a tabela das reservas e o gráfico da reserva devida contra o que foi pago.

Agora um ponto técnico que muda a leitura de tudo o que eu falei até aqui, e que eu quero explicar devagar porque ele é importante.

Todo mês a casa gera uma dívida com a equipe que só vira dinheiro depois: décimo terceiro, férias com o terço constitucional, o fundo de garantia sobre essas verbas e o custo de desligar quem está trabalhando hoje. Isso se chama provisão, e na prática é uma reserva que a casa deveria estar guardando todo mês.

Quem não guarda essa reserva vê um lucro maior do que o real durante o ano e toma o golpe inteiro quando a conta chega. Foi exatamente o que aconteceu aqui.

Em dois mil e vinte e quatro a casa deveria ter guardado duzentos e oito mil reais e pagou cento e um mil. A diferença de cento e sete mil reais foi carregada para dois mil e vinte e cinco. Não foi erro de ninguém: é o comportamento natural do primeiro ano, quando ninguém tirou férias ainda e ninguém foi demitido.

Em dois mil e vinte e cinco aconteceu o inverso: a casa pagou duzentos mil reais a mais do que o ano gerou, quitando a dívida do ano anterior.

Corrigindo os dois anos pela reserva devida, a margem real teria sido de oito vírgula setenta por cento em dois mil e vinte e quatro, e não dez vírgula vinte e oito. E de seis vírgula noventa e oito por cento em dois mil e vinte e cinco, e não quatro vírgula noventa e cinco. Metade do tombo de dois mil e vinte e cinco era conta de dois mil e vinte e quatro chegando com atraso.

E preciso dizer com franqueza: se essa reserva tivesse sido feita, a distribuição daquele ciclo teria sido menor. Em compensação, dois mil e vinte e cinco não teria dado o tombo que deu. A partir de agora a recomendação é separar todo mês por volta de três por cento do faturamento numa reserva trabalhista. E tem uma boa notícia aqui: o passivo antigo foi liquidado, o quadro hoje é novo e carrega muito menos dívida acumulada, então os próximos ciclos não trazem a bomba que dois mil e vinte e cinco trouxe.

Bloco 6Onde está o dinheiro da casa 65 segundos
O que aparece na telaSeção 09, o gráfico do percentual antecipado, e depois o gráfico do custo de antecipar.

Uma dúvida que sempre aparece: a conta bancária da Eleninha fecha quase todo mês perto de zero. Isso não é problema. Um restaurante que recebe quase tudo em cartão não guarda dinheiro no banco. O dinheiro chega da Rede e sai para o fornecedor na sequência.

O caixa de verdade está na adquirente. A Rede paga em trinta e um dias, então existe sempre quase um mês inteiro de faturamento a caminho. Hoje esse valor é de quatrocentos e oitenta mil, setecentos e cinquenta e cinco reais.

E esse número conta a história do caixa em três atos. Na abertura, entre agosto e novembro de dois mil e vinte e quatro, a casa antecipava até oitenta e um por cento do que recebia, porque a obra tinha consumido o capital. Em dois mil e vinte e cinco o caixa se formou: entre fevereiro e agosto a casa não antecipou um único real, e não é coincidência que foi exatamente aí que se distribuiu quatrocentos e cinquenta mil aos sócios.

No fim de dois mil e vinte e cinco a antecipação voltou com força, porque foi o momento da rescisão e do vinho ao mesmo tempo. Mas de abril deste ano em diante ela cai todo mês, e o colchão está sendo reconstruído. Essa é a prova mais objetiva de que o pior momento passou, porque casa em dificuldade não reconstrói recebível, ela antecipa cada vez mais.

Bloco 9A taxa de cartão não subiu 55 segundos
O que aparece na telaSeção 10, o gráfico da taxa do contrato e a tabela com os três componentes separados.

Aqui tem um ponto que na contabilidade parece um problema e não é.

A conta chamada taxas de cartão vem subindo, o que dá a impressão de que a Rede aumentou o contrato sem ninguém perceber. Não foi isso. Eu conferi transação por transação nos relatórios da própria Rede: a taxa do contrato era um vírgula setenta e sete por cento em dois mil e vinte e quatro, caiu para um vírgula setenta em dois mil e vinte e cinco e está em um vírgula sessenta e dois este ano. Ela caiu.

O que subiu foi outra coisa, lançada na mesma conta: o custo de antecipar recebível. Foram dez mil reais no ano inteiro de dois mil e vinte e cinco contra vinte e seis mil só nos seis primeiros meses deste ano. Isso não é taxa de cartão, é juro de capital de giro.

E tem um erro de lançamento a corrigir. Em trinta e um de maio entraram setenta e um mil duzentos e setenta e um reais de taxa em um único dia, num mês em que a Rede cobrou quinze mil. Isso sozinho distorce o ano inteiro.

E dá para provar. Tirando esse acerto, a conta contábil de dois mil e vinte e seis cai de três vírgula cinquenta e cinco por cento para dois vírgula vinte e cinco por cento do faturamento. E o que a Rede cobrou de fato foi dois vírgula vinte e um. São praticamente o mesmo número. A diferença inteira entre o que a contabilidade mostra e o que a Rede cobrou está explicada por um único lançamento.

Bloco 10O que ainda está errado hoje 50 segundos
O que aparece na telaSeção 06, a tabela do espelho dos três anos, com a coluna final visível.

Dois mil e vinte e cinco tem explicação. Este ano é diferente, e mais preocupante, porque não tem evento extraordinário nenhum para justificar. A casa fatura mais do que nunca e a margem continua baixa.

Esta tabela compara, linha por linha, quanto cada despesa pesava em dois mil e vinte e quatro, quanto pesava em dois mil e vinte e cinco e quanto pesa hoje. E a última coluna traduz isso em dinheiro de um ano.

Duas linhas concentram quase tudo. O custo da mercadoria, que foi de vinte e nove vírgula quarenta e oito por cento para trinta e um vírgula oitenta e três e depois trinta e dois vírgula noventa e cinco. E a conta de música e eventos, que foi de dois vírgula trinta e um por cento para quatro vírgula noventa e oito e depois cinco vírgula cinquenta e um. Mais que dobrou, e continua subindo.

Bloco 11Entre a ficha técnica e a prateleira 60 segundos
O que aparece na telaSeção 08, a tabela do custo da mercadoria com as duas réguas.

O custo da mercadoria merece atenção especial, porque o problema dele não é o preço de venda.

A ficha técnica da casa aponta um custo próximo de vinte por cento sobre o preço. A operação realiza trinta e dois vírgula noventa e cinco. Essa distância é o que se perde entre o momento em que a mercadoria entra pela porta e o momento em que ela é faturada no caixa.

Existe uma régua mais confiável que a ficha, que é o melhor patamar que a própria casa já entregou de verdade: vinte e cinco vírgula noventa e quatro por cento, entre março e maio de dois mil e vinte e quatro. Contra essa régua, o excesso de hoje vale setecentos e sessenta e seis mil reais por ano.

Esse dinheiro se perde em quatro lugares: perda física, consumo interno sem controle, porção fora da ficha e furto. E se ataca em três passos: inventário semanal dos dez itens de maior valor, registro obrigatório de todo consumo interno em conta própria, e pesagem por amostragem dos dez pratos mais vendidos contra a ficha.

Bloco 12A música não sai, se ajusta 65 segundos
O que aparece na telaSeção 13, a tabela do retorno por real investido em música, e depois o gráfico do gasto mês a mês.

A casa virou ponto de evento e isso deu certo. Quero começar por aí, porque a conclusão aqui não é desligar a agenda. Desmontar isso seria destruir o ativo que trouxe o crescimento.

O que mudou foi o preço desse posicionamento. Em dois mil e vinte e quatro, cada real gasto em música convivia com quarenta e três reais de faturamento. Em dois mil e vinte e cinco caiu para vinte reais. Hoje está em dezoito.

Para a conta de hoje pesar o mesmo que pesava em dois mil e vinte e quatro, a casa precisaria faturar cento e trinta e oito por cento a mais. Isso não vai acontecer, então não adianta planejar em cima disso.

A saída é medir noite a noite, e são quatro coisas concretas. Comparar o faturamento das noites com atração contra as mesmas noites sem atração. Trocar cachê fixo por cachê menor mais participação sobre meta. Cobrar couvert artístico e ingresso antecipado nas noites de maior procura, porque cada real de couvert entra sem custo de mercadoria. E concentrar a programação nos dias fracos, porque pagar atração em sexta e sábado é comprar um público que já viria.

Bloco 13O investimento e o retorno do capital 55 segundos
O que aparece na telaSeção 15, a tabela da origem do dinheiro e depois a tabela do investimento item por item.

Sobre o capital. A casa aplicou um milhão, novecentos e vinte mil reais no negócio, entre obra, equipamento, mobiliário e a compra do ponto.

E é importante separar de onde veio esse dinheiro. Novecentos e noventa e um mil, ou cinquenta e um vírgula seis por cento, vieram de aporte dos sócios e das empresas do grupo. Os outros novecentos e vinte e nove mil, quarenta e oito vírgula quatro por cento, foram bancados pelo caixa que a própria casa gerou, sem ninguém colocar dinheiro novo. Esse segundo número é o mais importante, porque mostra que a operação passou a se financiar.

O resultado acumulado nos vinte e nove meses é de um milhão, trezentos e setenta e seis mil reais. Isso significa que setenta e dois por cento do capital investido já voltou. Faltam quinhentos e quarenta e três mil. Isso não é perda: o dinheiro está no ativo da casa e continua produzindo faturamento. É o prazo normal de retorno de um restaurante deste porte, que fica entre trinta e quarenta e oito meses.

Bloco 14Por que não distribuímos e quando volta 75 segundos
O que aparece na telaSeção 16, a tabela do caixa livre, e depois a seção 17, a tabela dos cinco ajustes.

Chego na pergunta que interessa a todos. Em dois mil e vinte e cinco a casa distribuiu oitocentos mil reais em quatro pagamentos. Neste ano, faturando mais, não distribuiu nada. Por quê?

Porque não sobrou caixa livre. Nos últimos doze meses o resultado operacional, já com imposto descontado, foi de duzentos e trinta e dois mil reais. Depois do investimento de manutenção, o que restou foi negativo em sessenta e seis mil. Distribuir nessa situação seria tirar dinheiro que a operação precisa, e forçar a casa a antecipar mais recebível. Foi exatamente o que aconteceu em dezembro de dois mil e vinte e cinco.

Agora o caminho de volta, e ele está calculado. São cinco ajustes que somam seis vírgula setenta e três pontos de margem, o equivalente a setecentos e vinte e dois mil reais por ano. Nenhum deles depende de vender mais, e nenhuma meta é inventada: todas são o patamar em que esta mesma casa já operou.

Com o plano executado, a casa passa a gerar seiscentos e cinquenta e cinco mil reais por ano de caixa livre, o que permite retomar distribuições de cento e sessenta e três mil reais por trimestre. Que é praticamente o que foi praticado em dois mil e vinte e cinco.

Bloco 15Fecho45 segundos
O que aparece na telaVolta para a capa, ou a seção 00, o resumo.

Resumindo em três frases.

Primeira: a Eleninha é um negócio bom e vende cada vez mais. O faturamento cresceu nos três anos e este ano fecha em onze milhões e quatrocentos mil.

Segunda: a casa perdeu margem em dois anos seguidos, e o motivo está identificado linha por linha. Dois mil e vinte e cinco teve causa extraordinária e necessária. Este ano não tem desculpa, e são duas linhas que precisam de decisão: mercadoria e música.

Terceira: o modelo de dois mil e vinte e quatro funcionava e não precisa ser reinventado. A casa já operou com dez por cento de margem faturando bem menos do que fatura hoje. Não é vender mais, é recolocar quatro linhas de despesa onde elas já estiveram.

O documento completo está no link, com tudo aberto até o nível de fornecedor. Qualquer número que eu falei aqui, vocês conseguem abrir e conferir. Obrigado.

03

Ajustes finos na hora de gerar

Os detalhes que separam um vídeo que prende de um que faz o sócio fechar a aba.

  • Velocidade da fala. Deixe entre noventa e cinco e cem por cento. Acima disso a voz clonada vira leitura de teleprompter.
  • Pausa entre blocos. Meio segundo de silêncio no começo e no fim de cada bloco facilita a montagem e dá respiro na troca de tela.
  • Números longos. Se algum valor sair estranho, escreva por extenso apenas aquele trecho. O roteiro acima já faz isso na maioria dos casos.
  • Enquadramento. Peito para cima, olhando para a câmera. Avatar de corpo inteiro em vídeo longo cansa e denuncia a inteligência artificial.
  • Legenda. Ligue. Boa parte dos sócios vai assistir sem som, no celular, e a legenda dobra a chance de o vídeo ser assistido até o fim.
  • Duração total. Se passar de quinze minutos, corte o bloco treze, que é o do capital, e deixe apenas no documento escrito. Os blocos que não podem sair são o três, o quatro, o oito e o doze.